A importância da calibração em laboratórios de diagnóstico: como garantir a precisão dos exames

A precisão dos exames laboratoriais é essencial para diagnósticos corretos, tratamentos eficazes e segurança do paciente. Por trás de cada resultado há uma cadeia técnica — e a calibração dos instrumentos é a base que garante que essa cadeia não falhe. Neste artigo explicamos por que calibrar, quando calibrar, quais normas orientam o processo e práticas que laboratórios podem adotar para manter a qualidade dos exames.

O que é calibração e por que ela importa em laboratórios clínicos

Calibração é o processo técnico que compara um instrumento de medição com um padrão de referência para identificar e corrigir desvios. Em laboratórios clínicos, os impactos de instrumentos fora de calibração vão de resultados falsos (positivo ou negativo), decisões clínicas erradas, desperdício de insumos, a responsabilidades legais e perdas financeiras.

Exemplos práticos:

  • Um analisador bioquímico descalibrado pode alterar valores de glicemia e levar a diagnóstico equivocado de diabetes.
  • Uma pipeta com volumes incorretos compromete a concentração de reagentes, afetando reprodutibilidade.

Normas e requisitos aplicáveis

Laboratórios de diagnóstico devem observar normas e requisitos técnicos, que incluem:

  • ISO/IEC 17025 — requisitos para competência de laboratórios de calibração e ensaio (quando aplicável).
  • Boas práticas e normas específicas de saúde (normativas locais e exigências de acreditação).
  • Rastreabilidade dos padrões de medição até referências nacionais/internacionais (por exemplo, via Inmetro no Brasil).

Explicar e documentar conformidade é crucial em auditorias e para a confiança dos clientes.

Como a calibração garante rastreabilidade e qualidade

A rastreabilidade mostra a cadeia documentada entre o instrumento e padrões nacionais/internacionais. Um laudo de calibração bem feito indica: condições ambientais, incerteza de medição, data, responsável técnico e resultados pré e pós-ajuste. Esses elementos sustentam a validade dos resultados laboratoriais em auditorias e processos jurídicos.

Periodicidade: quando calibrar?

Não existe uma única regra; depende de:

  • Tipo de instrumento (pipetas, centrífugas, leitores fotométricos, balanças etc.).
  • Uso (frequência de operação).
  • Condições ambientais (umidade, temperatura, vibração).
  • Histórico de desempenho (tendência a drift/desvio).
  • Requisitos do fabricante e normas regulatórias.

Boa prática: definir um plano de calibração baseado em risco — instrumentos críticos para decisões clínicas têm prioridade de periodicidade menor (mais frequente).

Sinais práticos de que um equipamento pode estar fora de calibração

  • Ruídos ou comportamento mecânico atípico.
  • Resultados inconsistentes entre repetições (baixa reprodutibilidade).
  • Desvios detectados em controles internos ou ensaios de proficiência.
  • Alertas contínuos do equipamento (quando aplicável) ou leituras fora da faixa esperada.

Ao detectar sinais, isole o equipamento, registre o evento e encaminhe para calibração ou manutenção.

Laudo de calibração: o que não pode faltar

Um certificado confiável deve conter:

  • Identificação do equipamento (modelo, número de série).
  • Data da calibração e validade/intervalo sugerido.
  • Condições ambientais do ensaio.
  • Resultados com incerteza de medição.
  • Procedência e rastreabilidade dos padrões utilizados.
  • Nome e assinatura do responsável técnico / laboratório auditable (com acreditação, se aplicável).

Calibração acreditada x não-acreditada: qual a diferença?

  • Acreditada (ex.: ISO/IEC 17025): demonstra competência técnica, processos auditados, rastreabilidade e competência para emitir certificados reconhecidos.
  • Não-acreditada: pode atender demandas simples, porém em setores regulados ou para exportação/ auditoria, a acreditação frequentemente é exigida.

Integração com controle de qualidade e gestão laboratorial

Calibração não é isolada — é parte do sistema de qualidade:

  • Use controles internos e ensaios de proficiência para monitorar desempenho.
  • Registre histórico de calibrações e tendências (software de gestão).
  • Combine calibração com manutenção preventiva e treinamento de equipe.

ROI e impacto econômico

A calibração preventiva reduz retrabalho, evita rejeição de lotes, reduz risco de processos judiciais e preserva a reputação do laboratório. Apesar de representar um custo, o retorno (evitar falhas graves) geralmente compensa sob a ótica financeira e de segurança.

Passo a passo prático para implementar ou melhorar o programa de calibração do laboratório

  1. Mapear todos os equipamentos críticos.
  2. Classificar por risco (impacto clínico).
  3. Definir periodicidade e responsáveis.
  4. Selecionar laboratório de calibração confiável/ acreditado.
  5. Registrar procedimentos, laudos e plano de ações.
  6. Treinar equipe para identificar sinais de descalibração.
  7. Revisar o programa anualmente ou após eventos críticos.

Conclusão

A calibração é pilar da qualidade laboratorial. Implantar um programa robusto, com parceiros confiáveis e documentação adequada, garante resultados mais seguros, conformidade e eficiência operacional — aspectos fundamentais para quem lida com a saúde das pessoas.

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